Muitas vezes a rotina do terceiro ano é muito cansativa por focar somente no ENEM e nos vestibulares, é tanta coisa que às vezes parece que 24 horas não é o suficiente. E em meio todo o cansaço e estresse que pode ser definido o terceiro ano o meu professor de português e redação Nilton propôs um trabalho em campo muito interessante, que serviu como uma maneira de aprendizagem muito mais profunda do que às vezes se tem em sala de aula, além de ter sido extremamente divertida toda a experiência.

A saída do colégio foi às 7:30 e na estrada ao mesmo tempo em que se podia observar paisagens completamente lindas, em outros cantos via-se o reflexo da ação humana nos montes de lixo jogados de qualquer forma no acostamento da rodovia. Foi um momento em que aprendemos alguns conhecimentos importantes que o guia contou par a turma, além de que também foi um momento para se divertir escutando música (no caso o meu amigo Pinho definiu esse momento como nada agradável, já que ele não gostou do meu gosto musical que é extremamente eclético: tem de tudo um pouco no meu celular) ou para dormir um pouco.

GALERIA CILDO MEIRELES
Ao chegar a Inhotim recebemos um lanche básico e depois disso tratamos de ir ver a primeira galeria do nosso roteiro de viagem, e mesmo sendo a minha terceira vez no museu e nessa Galeria do Cildo as experiências que eu tive na excursão foram totalmente novas. Cada vez que você vai lá com pessoas diferentes novos significados são atribuídos para uma obra que você já conhecia, e é bastante interessante ver pontos de vistas completamente diferentes sobre a mesma coisa.
Através: Através está entre as obras de Cildo Meireles nas quais, por meio de jogos formais com materiais cotidianos, o artista lida com questões mais amplas, como a nossa maneira de perceber o espaço e, em última análise, o mundo. Trata-se de uma coleção de materiais e objetos utilizados comumente para criar barreiras, com os mais diferentes tipos de usos e cargas psicológicas: de uma cortina de chuveiro a uma grade de prisão, passando por materiais de origem doméstica, industrial, institucional. Sempre em dupla, os elementos se organizam com rigor geométrico sobre um chão de vidro estilhaçado, oferecendo diferentes tipos de transparência para os olhos, que à distancia penetra a estrutura. O convite é que o corpo experimente de perto esta estrutura, descobrindo e deixando para trás novas barreiras. Com sua conformação labiríntica e experiência sensorial de descoberta, Através e seus obstáculos aludem às barreiras da vida e ao nosso desejo, nem sempre claro, de superá-las.

Glove Trotter: Em Glove Trotter, Cildo Meireles lida com questões clássicas da escultura: volume, peso e gravidade. Porém estas questões se desdobram para noções de contexto geográfico e de universalidade. Ao reunir esferas de diferentes proveniências, histórias e usos, Cildo sublinha o que há de diferente, mas também de igual, em cada um destes objetos, criando uma linguagem escultórica quase musical com suas variantes de altura. A malha metálica cobre os objetos e nos faz refletir sobre um possível abarcamento de todos os corpos em um só campo, além de ampliar as referências da obra. Por um lado, remete às antigas estruturas metálicas utilizadas nas armaduras da idade média; por outro, confere à escultura uma aspecto futurista de paisagem lunar.

Desvio para o vermelho: Impregnação, Entorno, Desvio: Desvio para o Vermelho é um de seus trabalhos mais complexos e ambiciosos – concebido em 1967, montado em diferentes versões desde 1984
e exibido em Inhotim em caráter permanente desde 2006. Formado por três ambientes articulados entre si, no primeiro deles (Impregnação) nos deparamos com uma exaustiva coleção monocromática de móveis, objetos e obras de arte em diferentes tons, reunidos “de maneira plausível mas improvável” por alguma idiossincrasia doméstica. Nos ambientes seguintes, Entorno e Desvio, têm lugar o que o artista chama de explicações anedóticas para o mesmo fenômeno da primeira sala, em que a cor satura a matéria, se transformando em matéria. Aberta a uma série de simbolismos e metáforas, desde a violência do sangue até conotações ideológicas, o que interessa ao artista nesta obra é oferecer uma seqüência de impactos sensoriais e psicológicos ao espectador: uma série de falsas lógicas que nos devolvem sempre a um mesmo ponto de partida.



GALERIA ADRIANA VAREJÃO
Inhotim é tão grande que no mínimo são necessários três dias para ver todas as obras que tem lá, e pela primeira vez eu tive a oportunidade de conhecer a Galeria da Adriana Varejão, em pesquisas que já tinha feito anteriormente vi muitas pessoas recomendando que se visitasse a galearia e agora eu consigo entender o motivo. Não se trata de algo muito interativo como alguma das obras de Cildo Meireles, mas ainda assim não deixa de ser belo e reflexivo. É interessante observar a técnica da artista e a ligação de algumas obras com os alucinógenos.
Linda do Rosário: O azulejo, um dos motes recorrentes da obra de Varejão, reaparece em Linda do Rosário (2004), uma das mais importantes obras da série Charques. Nesta escultura, a arquitetura se associa ao corpo, e a matéria de construção se torna carne. A obra foi inspirada no desabamento do Hotel Linda do Rosário, no centro do Rio de Janeiro, em 2002, cujas paredes azulejadas caíram sobre um casal num dos cômodos do prédio.

Celacanto Provoca Maremoto: Especialmente criada para o espaço a partir de um painel original em apenas uma parede, a obra Celacanto Provoca Maremoto (2004-2008) vale-se do barroco e da azulejaria portuguesa como principais referências históricas, mas também da própria história colonial que une Portugal e Brasil: afinal de contas aqui estamos nos domínios do mar, o grande elemento de ligação entre velho e novo mundos no período das grandes navegações. Colocados nos painéis formando um grid, os azulejões fazem referência à maneira desordenada e casual com a qual são repostos os azulejos quebrados dos antigos painéis barrocos. Assim, o maremoto e as feições angelicais impressas nas pinturas formam esta calculada arquitetura do caos, com modulações cromáticas e compositivas, remetendo à cadência entre ritmo e melodia.


O Colecionador: O Colecionador é a maior pintura da série Saunas, e faz uso de uma palheta quase monocromática para criar um labirinto interior idealizado. Com seus jogos de luz e sombras, a pintura evoca espaços de prazer e sensualidade e reflete a arquitetura do pavilhão, propondo uma continuidade virtual do espaço.













NARCISSUS GARDEN - YAYOI KUSAMA
Narcissus garden Inhotim (2009) é uma nova versão da escultura-chave de Yayoi Kusama originalmente apresentada em 1966 para uma participação extra-oficial da artista na 33a Bienal de Veneza. Naquela ocasião, Kusama instalou, clandestinamente, sobre um gramado em meio aos pavilhões, 1.500 bolas espelhadas que eram vendidas aos passantes por US$ 2 cada. A placa alojada entre as esferas - "Seu narcisismo à venda" - revelava de forma irônica sua mensagem crítica ao sistema da arte e seus sistemas de repetição e mercantilização. A intervenção levou à retirada de Kusama da Bienal, onde ela só retornou representando o Japão oficialmente em 1993. Na versão de Inhotim, 500 esferas de aço inoxidável flutuam sobre o espelho d'água do Centro Educativo Burle Marx, criando formas que se diluem e se condensam de acordo com o vento e outros fatores externos e refletindo a paisagem de céu, água e vegetação, além do próprio espectador, criando, nas palavras da artista, "um tapete cinético".

THE MURDER OF CROWS - GEORGE BURES MILLER & JANET CARDIFF
Novamente aqui está outra obra que eu ainda não conhecia, mas dessa vez teve algo a mais de especial, pois envolveu o uso aguçado de alguns sentidos como o faro e o tato, além do processo de confiar no próximo. Antes de chegarmos à sala foram colocadas vendas em cada um e assim fomos guiados, tendo de confiar no próximo que estava a sua frente. E quando chegamos no local a venda não foi removida o que deixou a experiência muito mais interessante, pois eu escutava a história sendo narrada e automaticamente eu já começava a imaginar tudo o que estava acontecendo na minha mente, mas em alguns momentos eu me sentia um pouco incomodada de não estar enxergando. Por algum motivo achei que era a única vendada e que meus colegas estavam a minha volta me assistindo e em outros momentos achava que todos já tinham ido embora e me largado ali, mas apesar disso acredito que a experiência não seria tão boa se eu estivesse escutando tudo ao meu redor.
The Murder of Crows: Em The murder of crows (2008), 98 caixas de som são montadas sobre pedestais, cadeiras e paredes, e distribuídas à maneira de uma orquestra, convidando o visitante a acomodar-se em assentos dispostos no centro do espaço. Gerada por técnicas especiais de gravação e de reprodução polifônicas, a obra em áudio emana das caixas de som e é composta por cantigas de ninar, marchas, textos e composições musicais, além de efeitos incidentais. Um som dá sequência ao outro, evocando uma narrativa onírica de assustadora e desconcertante imediatez. A instalação foi concebida como um filme ou uma peça teatral, mas aqui as imagens e estruturas narrativas são criadas apenas pelo som. Inspirada na gravura de Goya O sono da razão produz monstros (1799), seu título é uma referência ao comportamento natural dos corvos que vivem, caçam, emitem sons de lamento e grasnam em bando. De quando em quando, a voz de Janet Cardiff faz-se ouvir pelo megafone posicionado no centro, recitando sequências de sonhos apocalípticos. The murder of crows (2008) é a maior instalação de som já criada pela dupla. Cardiff e Bures Miller estão na vanguarda de uma geração de artistas que emprega tecnologia de ponta em suas obras. Eles se valem de múltiplas linguagens, entre elas o vídeo, a instalação e a gravação sonora, para pesquisar a percepção audiovisual e a experiência do espectador, por meio da criação de sons físicos e esculturais.

A minha visita em Inhotim foi além dessas obras e galerias que eu coloquei aqui nesse post, mas falar sobre tudo acabaria deixando o post muito extenso, sendo assim resolvi apenas colocar algumas das obras que mais me chamaram atenção e das quais eu tenho fotos e registros no meu celular. E para quem nunca foi eu recomendo que um dia tire um final de semana para conhecer esse lugar belíssimo, e para quem já foi mais de uma vez não há nada de errado em ir novamente, pois acaba sendo uma experiência totalmente nova e você ainda pode conhecer outras instalações que não havia tido a oportunidade de ver anteriormente.






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