The Alienist: a série que todo mundo devia conhecer

"Thriller psicológico dinâmico e atmosférico sobre um trio de especialistas formado pelo psiquiatra Laszlo Kreizler, o repórter jornalístico John Moore e o comissário de polícia Theodore Roosevelt, responsável por desenvolver as primeiras técnicas de psicologia e investigação para encontrar um assombroso serial killer na Era de Ouro de Nova York."

Eu conheci essa série por acaso enquanto navegava pelo catálogo da Netflix em busca de alguma série para assistir, e como eu tenho um fraco por obras ambientadas no passado de cara eu me interessei por The Alienist. Logo nos primeiros minutos a série me despertou um grande interesse e em questão de poucos dias eu maratonei a primeira temporada, então resolvi fazer uma lista com alguns motivos para você assistir a série (The Alienist é maravilhosa e mais pessoas deveriam conhecer ela)! 

1) TRAMA ENVOLVENTE
Sabe quando você começa assistir uma série e depois não consegue mais parar? Foi assim que eu fiquei com The Alienist, e se não fosse pela semana de provas da faculdade eu teria sido capaz de passar um dia inteiro maratonando a série. A trama me envolveu logo nos primeiros minutos, de forma que eu ficava curiosa e ansiosa para saber o que iria acontecer em seguida (chegou em um ponto em que eu comecei a formular diversas teorias a respeito da verdadeira identidade do serial killer). 
2) TRIO DE OURO
O que falar sobre o elenco principal da série? Daniel Brühl, Dakota Fanning e Luke Evans fizeram um trabalho excelente ao dar a vida aos respectivos personagens: Dr. Laszlo Kreizler, Sara Howard e John Moore. A atuação deles  estava muito boa, e a interação entre os personagens foi ótima! Apesar de apresentarem personalidades diferentes e tão contrastantes — o Dr. Laszlo era um homem um pouco arrogante e que gostava de ter razão em todas as situações; Sara Howard era uma mulher empoderada e que lutava para ter direitos iguais ao de um homem; e John Moore levava uma vida boêmia, afogando suas mágoas em bebidas —, eles fizeram um trabalho incrível e apresentaram uma ótima dinâmica ao trabalhar como um trio.
3) AMBIENTAÇÃO
Um dos grandes pontos positivos de The Alienist é a ambientação, além dos figurinos que ajudam a passar uma maior veracidade para a história, é como se realmente estivéssemos em Nova York no final do século XIX. A produção da série fez um trabalho excelente  ao retratar ambientes como os hospícios, prostíbulos e o prédio da polícia. Além disso, a paleta de cores combina perfeitamente com o cenário.
Se você se interessou pela série depois confira a crítica que eu escrevi sobre a primeira temporada para a ZINT, uma revista digital sobre cultura e entretenimento (eu sou colaboradora de texto da revista e acho que mais pessoas deveriam conhecer esse projeto que é simplesmente incrível).

Deadpool 2 (Crítica Sem Spoiler)

"Quando o super soldado Cable (Josh Brolin) chega em uma missão para assassinar o jovem mutante Russel (Julian Dennison), o mercenário Deadpool (Ryan Reynolds) precisa aprender o que é ser herói de verdade para salvá-lo. Para isso, ele recruta seu velho amigo Colossus e forma o novo grupo X-Force, sempre com o apoio do fiel escudeiro Dopinder (Karan Soni)."

A vida de Wade Wilson/Deadpool (Ryan Reynolds) mudou um pouco desde os acontecimentos do primeiro filme, mas a personalidade e o jeito típico do mercenário tagarela continuam o mesmo: ele  fala muito palavrão, faz piadinhas envolvendo os X-Men e não se considera como um herói (ele nunca fez tal ato para receber esse título, ele está mais para um anti-herói). Contudo, após uma perda terrível em sua vida, Wade decide melhorar o seu comportamento, quem sabe se tornar um verdadeiro herói, na esperança de se reencontrar com Vanessa (Morena Baccarin), o seu grande amor.

Na tentativa de fazer uma boa ação, Deadpool resolve ajudar o jovem mutante Russel (Julian Dennison), que está tendo problema para controlar seus poderes e sua raiva. Porém, essa tarefa está longe de ser algo fácil, ainda mais quando um super soldado do futuro, Cable (Josh Brolin), chega com uma missão: assassinar Russel. Como se não fosse complicado o suficiente ter de lidar com um adolescente rebelde, Deadpool também precisa proteger o jovem de Cable.
Para conseguir salvar Russel, Deadpool cria a sua própria equipe: os X-Force que é constituído por Dominó (Zazie Beetz), Bedlam (Terry Crews), Shatterstar (Lewis Tan), Zeitgeist (Bill Skarsgård) e Peter (Rob Delaney). Além disso, ele também conta com a ajuda de Colossus (Stefan Kapicic), Ellie Phimister/Míssil Adolescente Megassônico (Brianna Hildebrand) e Yokio (Shioli Kutsuna).

O primeiro filme do mercenário tagarela foi um enorme sucesso, de forma que era um desafio para a sua sequência superar os números alcançados pelo primeiro longa Mas, felizmente Deadpool 2 conseguiu se superar! Com a direção de David Leitch, a película apresenta inúmeras cenas de ação, várias piadas e comentários sacáricos, momentos de clímax e um plot twist surpreendente. Deadpool 2 foge um pouco da tão conhecida fórmula que está presente nos filmes de super herói, de maneira que não é muito previsível.

Então, se você ainda não assistiu o filme aproveite que Deadpool 2 ainda está sendo exibido nas salas de cinema, pelo menos aqui em Belo Horizonte, pois a volta do mercenário tagarela para as telinhas não poderia ter sido melhor!
Ficha Técnica
Título: Deadpool 2
Direção: David Leitch
Duração: 02h00min
Gênero: Ação, Comédia, Aventura
Elenco: Ryan Reynolds, Josh Brolin, Morena Baccarin, Julian Dennison, Zazie Beetz, Leslie Uggams, Shioli Kutsuna e Brianna Hildebrand

Curiosidades:
1) Em uma cena do trailer, Deadpool (Ryan Reynolds) chama Cable (Josh Brolin) de "One Eyed Willy", personagem de Os Goonies (1985), filme estrelado por Josh Brolin.
2) Diferenças criativas com Ryan Reynolds fizaram com que Tim Miller não voltasse como diretor para a sequência de 2016. Miller chegou a dizer que "não queria fazer um filme estilizado que custasse 3 vezes o orçamento".
3) Brad Pitt se interessou pelo papel de Cable, chegando até a conversar sobre ele com o diretor David Leitch, mas não conseguiu se comprometer por causa de conflitos de agenda.
4) Para o papel de Cable, foram considerados os atores Mel Gibson, Bruce Willis, Sylvester Stallone, Stephen Lang, Pierce Brosnan, Dolph Lundgren, Kurt Russell, Alec Baldwin, Arnold Schwarzenegger, David Harbour e Ron Perlman. Mas o escolhido para ser o vilão foi Josh Brolin.
5) Nos quadrinhos, a personagem Dominó é descrita como uma mulher de pele artificialmente branca com um círculo preto em volta do olho esquerdo. Como no filme ela é interpretada por Zazie Beetz, atriz afro-americana, a marca em torno do olho passou a ser branca.

Resenha: Persépolis

Título: Persépolis
Autor(a): Marjane Satrapi
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 352
Classificação: 5/5
Comprar: Amazon

Eu já tinha ouvido falar desse livro e de sua história, mas até então nunca havia tido a oportunidade de  ler "Persépolis" (apesar da obra estar na minha wishlist, eu tenho um pouco de dificuldade de seguir essa lista, pois sempre desperto interesse por outros livros e me esqueço das obras que estão inclusas na minha meta de leitura). Porém, graças a uma tremenda sorte do destino, eu ganhei "Persépolis" e tive a oportunidade de me deliciar com essa leitura incrível.

"Marjane Satrapi tinha apenas 10 anos quando viu-se obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979, ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita, apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão dos persas. 25 anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que transformou-se, Marjane, emocionou leitores de todo o mundo com sua autobiografia nos quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares. Em Persépolis, o popular encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor infiltra-se no drama, e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar."

Com apenas 10 anos de idade Marjane Satrapi viu sua vida mudando completamente. No ano de 1979, ela foi separada de seus amigos e passou a estudar em uma escola apenas para garotas. Ela teve que  começar a suar o véu. E ela foi obrigada a lidar com a dura realidade de seu país, em que mulheres e homens não possuíam os mesmos valores. Por ter crescido em uma família moderna e politizada, Marjane não conseguia entender o motivo de mudanças tão bruscas em sua realidade e por mais que seus pais tentassem explicar o que estava acontecendo, ela ainda era jovem para ter uma total compreensão da situação.

Foi durante o período de sua adolescência que Marjane começou a ter uma maior compreensão das coisas que se passavam ao seu redor. Desse modo, começou a protestar como podia: ela participava de manifestações escondido de seus pais (eles consideravam como algo muito perigoso), usava  maquiagem,  adotou o estilo punk (em relação as músicas que escutava e algumas das roupas que usava) e colocava o véu de forma que conseguia mostrar um pouco de seus cabelos. Preocupados com a vida da filha, que apresentava um comportamento rebelde com comparação com o duro regime que estavam vivendo, Marjane foi mandada para  passar um tempo na Áustria.
O tempo em que ela viveu na Áustria foi marcado por pontos positivos e negativos. Marjane estava longe da guerra, tinha uma grande liberdade em mãos: ela podia andar sem o véu, passar maquiagem e usar jeans sem ser reprimida. Porém, nesse período ela teve de lidar com a enorme saudade que sentia de sua família. Marjane mudou de casa diversas vezes, sofreu preconceito e nem mesmo o seu comportamento "descolado" fez com que ela conquistasse o seu espaço (no desespero de fazer amizades ela tomou atitudes que iam contra os ensinamentos de seus pais, de modo que ela passou a fumar maconha, além de traficar drogas em sua escola). O seu objetivo era deixar sua família orgulhosa, mas não foi exatamente isso que aconteceu.

Marjane enfrentou uma grande crise existencial na época em que viveu na Áustria, ela era considerada uma pária social e não se encaixava em nenhum grupo. Dessa forma, ela decidiu voltar para sua casa, a sua terra natal. Ela se sentia envergonhada por algumas atitudes que tomou para agradar certas pessoas, e acreditava que estando de volta em Teerã ela teria uma chance de recomeçar.  Contudo, a volta para o seu país não foi fácil como ela imaginava. Mesmo recebendo o apoio de sua família, reencontrando suas velhas amigas, Marjane tinha se tornado uma verdadeira estranha em sua própria terra.
"Na vida você vai encontrar muita gente idiota. Se te ferirem, pensa que é a imbecilidade deles que os leva a fazer o mal. Assim você vai evitar responder às maldades deles. Porque não tem nada pior no mundo do que a amargura e a vingança... Seja sempre digna e fiel a você mesma."

Ler "Persépolis" foi uma experiência incrível, surpreendente e muito emocionante. Ao longo da narrativa o leitor tem a oportunidade de acompanhar o crescimento de Marjane: desde o momento em que ela deixou para trás a inocência da infância  (o sonho dela era se tornar Profeta ao crescer, mas logo essa ideia caiu no esquecimento), passando por sua rebeldia da adolescência até o momento em que ela resolveu tentar se reconectar com a cultura de seu país.

A narrativa é fluída e os desenhos são incríveis, conseguindo repassar a dramaticidade envolvida na história. O trabalho feito pela Companhia das Letras está impecável! E um ponto positivo da obra é que ela apresenta para o leitor um conhecimento profundo a cultura iraniana (no início dos quadrinhos tem até mesmo uma breve introdução histórica, o que enriquece bastante a narrativa), dando uma visão diferente com a qual estamos acostumados.

Então, se você gosta de ler HQs ou está procurando uma para ler, "Persépolis" tem que estar na sua wishlist. A leitura desse livro deveria ser obrigatória; todas as pessoas deveriam conhecer essa história.