Resenha: 1984

16:06

Título: 1984
Autor(a): George Orwell
Editora: Companhia das Letras
Número de Páginas: 416
Classificação: 5/5

Já perdi a conta de quantas vezes escutei falar sobre George Orwell e suas obras, e foi conversando com um amigo que eu recebi a sugestão de ler "1984". Reconheço que demorei um bom tempo até finalmente comprar o livro, algo que eu fiz no início de 2015 quando fiz uma meta para mim mesma de que esse ano eu iria ler mais clássicos e o que poderia ser melhor iniciar essa minha meta lendo uma obra do Orwell? Acho que nada. Esse cara é simplesmente um grande gênio.
"1984 - Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que 'só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade - só o poder pelo poder, poder puro.'"
Em "1984" a divisão de mundo que conhecemos já não existe mais. No mundo alternativo criado por Orwell existem apenas três grandes continentes: Oceania, Eurásia e Lestásia. A Oceania - o maior dos impérios, governa toda a Oceania, América, Islândia, Reino Unido, Irlanda e grande parte do sul da África. A Eurásia - o segundo maior império, governa toda a Europa (exceto Islândia, Reino Unido e Irlanda), quase toda a Rússia e pequena parte do resto da Ásia. A Lestásia - o menor império, governa países orientais como China, Japão, Coreia, parte da Índia e algumas nações vizinhas. E ainda existem os territórios sob disputa, como o norte da África, o centro e o Sudeste da Ásia e a Antártica permanecem em disputa. E a guerra é uma constante nesse novo mundo. Não importa contra quem é, ou o fato de sempre estarem mudando de lado. Em um momento a Oceania está em uma guerra contra a Eurária, e em outro momento se encontra em guerra com a Lestásia.
O mapa do mundo de acordo com 1984. Em rosa, as áreas dominadas pela Oceania. Em laranja, a Eurásia e, em verde, a Lestásia. Em bege, as áreas sob disputa.

E o que a população pensa a respeito disso? Eles não têm muitas informações sobre a guerra, eles apenas sabem que estão nela. Quando isso aconteceu? Ninguém sabe dizer. E quando esse conflito deve acabar? Ninguém sabe. As pessoas da Oceania vivem em um Partido onde quem controla tudo é o Grande Irmão. Cada pessoa tem em sua casa uma teletela, um tipo de tecnologia de telecomunicação bidirecional que funcionam ao mesmo tempo como um televisor e uma câmera de vigilância, na medida em que poderiam simultaneamente transmitir a programação oficial do governo e filmar o que acontece em frente ao aparelho. O Grande Irmão está de olho em todos. Ele controla tudo, desde a vida das pessoas até a história. Pinturas, músicas, livros, jornais... Tudo é reescrito com a finalidade de atender as necessidades do sistema.  E como se isso não bastasse também há a Polícia das Ideias, que não pensa duas vezes antes de expurgar alguém por ter pensamentos. Pensar por si mesmo é um verdadeiro crime.
"Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado', rezava o lema do partido."
E é neste contexto que é apresentado ao leitor Wintson Smith, um homenzinho de trinta e poucos anos que vive em Londres e que trabalha como balconista no Departamento de Registros do Ministério da Verdade , onde o seu trabalho é reescrever documentos históricos para que eles correspondem a constante mudança atual linha do partido. E assim como a guerra é uma constante a vida de Smith também parece ser uma constante, pacata. Ele passa boa parte de suas horas no trabalho e quando chega a sua casa bebe um pouco de gim e fuma alguns cigarros e às vezes fica observando pela janela o Ministério do Amor (ou Miniamor) se perguntando o que acontece dentro daquele grande prédio, isso é um verdadeiro mistério para toda a população. A única vez que ele fez algo que fugiu completamente de sua rotina foi o dia em que ele comprou um caderno em um antiquário, mas logo se arrependeu da ideia e deixou o caderno guardado em uma gaveta.

Na época Smith nunca pensou que algum dia iria encontrar alguma utilidade para o caderno, na verdade, achava que isso poderia trazer algum tipo de problema para ele caso a Policia das Ideias o descobrisse. Contudo, depois de um dia de trabalho ele decide escrever um pouco de seus pensamentos à respeito do Partido, do Grande Irmão. Ele relata informações bastante profundas sobre a sua "revolta"  do Partido, sobre seu fingimento durante a Semana do Ódio, da esperança que ele sentiu ao olhar nos olhos de seu colega O'Brien e mesmo sem trocar palavras Smith tinha a sensação de que ambos sentiam-se da mesma maneira em relação ao Partido, e também relatou a sua raiva por sua colega de trabalho Júlia.
"Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força."
É dessa forma que ele acaba cometendo o pensamento-crime, e para não levantar nenhum tipo de suspeitas ele continua seguindo com sua vida normalmente e sendo cuidadoso durante conversas com alguns de seus vizinhos para não levantar nenhum tipo de suspeita para si mesmo, afinal a Policia das Ideias possuem vários espiões, até as crianças são ensinadas para espionar com o proposito de delatar os infratores, até mesmo os próprios pais se for preciso. O Partido transformou a sociedade e as famílias de um modo geral. O casamento tinha de ser permitido por alguém e não deveria envolver nenhum tipo de atração entre homem e mulher, o sexo não deveria ser algo prazeroso e sim uma obrigação com o Partido e as crianças parecem não respeitar seus pais, no geral.
"Pensamento duplo indica a capacidade de ter na mente, ao mesmo tempo, duas opiniões contraditórias e aceitar ambas."
E em uma noite após o trabalho ele acaba passando no mesmo antiquário aonde comprou o caderno alguns meses atrás, e acaba comprando mais um objeto que ele considerou interessante e aproveita o momento para fazer uma espécie de amizade com o proprietário do local, um senhor de idade que conheceu Londres antes da guerra, antes do Partido, antes do Grande Irmão. E quando ele está voltando para seu apartamento ele repara que estava sendo seguido por Júlia, e é inevitável que a raiva e outros sentimentos terríveis em relação à mulher que provavelmente é uma espiã da Policia das Ideias. Contudo, mais tarde é revelado que Júlia o ama e Smith passa a ter encontros secretos com ela, onde conversam sobre a possibilidade de Emmanuel Goldtsein(declarado como o inimigo do Partido) e de seus seguidores que planejam acabar com o partido. É como se existisse uma pontada de esperança em Smith, ao saber que Júlia e O'Brien também estão do seu lado e que pensam da mesma forma que ele. Contudo, as aparências enganam e nem sempre as pessoas são o que elas aparentam ser.
 "Quando você ama alguém, ama essa pessoa e mesmo não tendo mais nada a oferecer, continua oferecendo-lhe o seu amor."
Diferente de alguns livros que eu leio em um ou três dias, no máximo, "1984" exigiu um pouco mais de tempo da minha parte. A leitura está longe de ser fácil, e em alguns momentos é tão descritivo e detalhista que se você desviar a sua atenção por um minuto acaba perdendo o fio da meada. E me arrependi por ter demorado a ler tanto esse livro, que é uma verdadeira obra de um gênio. Não é para tanto que em 2005, a revista Time listou o romance como uma das cem melhores obras de língua inglesa publicadas desde 1923. Além de ser a obra mais importante do século de acordo com algumas pessoas, uma vez de que Orwell mostrou o futuro como algo tão horrível ao ponto das pessoas lutarem para impedir que isso aconteça, portanto, a qualquer sinal de tirania as pessoas vão lutar contra ela.

Ao longo da leitura é perceptível que George Orwell se inspirou nas características dos governos totalitários nazista e fascista, e se levar em conta que a obra foi publicada quatro anos após o término da Segunda Guerra Mundial. E também é notável que ele acabou servindo de inspiração para o reality show Big Brother, a história em quadrinhos V de Vingança e o filme Equilibrium.

E por mais que o final não tenha sido da form que eu imaginava, recomendo esse livro para todas as pessoas. "1984" é uma obra que todo mundo deveria conhecer de tão brilhante que é mesclando questões meio filosóficas com questões históricas ao longo da história. Esse livro definitivamente entrou para a minha lista de livros favoritos.

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16 comentários

  1. Parece um ótimo livro, eu gostei dos trechos que colocou no post, e a capa é linda,
    Fiquei curiosa para ler

    BeijO :*
    Blog Luanna Ravanelli / Fanpage / Instagram

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    1. Obrigada e volte sempre aqui no Escritora Whovian!

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  2. Quando olhei o tamanho do post pensei "ai que preguicinha de ler" mas ainda bem que deixei a preguiça de lado, porque, que livro maravilhoso! Filosofia, história e um ótimo enredo, três coisas que eu amo em um livro só! Quero comprar ele LOGO! Eu conhecia o autor pelo livro "A revolução dos bichos" (que infelizmente, ainda não consegui comprar) Agora tornou-se uma obrigação comprar os DOIS! hahah Parabéns pela resenha e muito sucesso pra ti Bruna!

    www.palavrasrepetidas.com

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    1. Normalmente eu não gosto de fazer posts gigante como esse, pois sei que uma parcela das pessoas tem preguiça de ler, mas fico feliz que você não deixou a preguiça falar mais alto! Eu ainda não li "A Revolução dos Bichos", e depois de "1984" pretendo comprar mais obras do George Orwell.

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  3. Parece ser bem interessante, fiquei com vontade de ler pois me surgiram várias dúvidas *-*
    Beijão
    blogyasminblog.blogspot.com/

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    1. A trama é genial, uma verdadeira obra de gênio, e a medida que você vai lendo as suas dúvidas vão sendo respondidas.

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  4. Cara Bruna, vim retribuir a sua visita. Realmente esse é um livro bom. Observando o mundo, com olhos de ver, a partir dele (o livro), vivemos o contrário: muitos observando poucos. Na história poucos observam mundos. Vivemos numa sociedade absolutamente vigiada, como já dizia Gilles Deleuze. Belo blog. Muito grata pela visita. Um abraço, Mirian

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    1. Obrigada por retribuir a visita, sempre seja muito bem-vinda aqui no Escritora Whovian <3

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  5. Oie Bruna,
    Que resenha maravilhosa, eu tenho esse livro desde o ano passado, ainda não li mas pretendo ler em breve. Outra obra maravilhosa é A Revolução dos Bichos, super indico a leitura, a genialidade de Orwell é realmente sem igual e esse livro que te indiquei só vai te confirmar isso!
    Beijos
    http://diariodeumalivromaniaca.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada pela indicação de "A Revolução dos Bichos", mais do que nunca agora eu quero ler mais livros do George!

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  6. Oi Bruna! :)
    Eu me senti mal agora. Já ouvi falar muito desse autor e do livro, mas, nunca tive coragem de dar oportunidade. Achei que fosse ser uma leitura chata e tal. Mas, agora que li sua resena fiquei encantada!
    O escritor é um gênio e o livro parece maravilhoso! Vou correr pra bibioteca da minha cidade pra pegar emprestado!
    Ótima resenha e obrigada pela dica de leitura! <3

    Beijos!

    http://dreams-books-love.blogspot.com.br/

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    1. Você não vai se arrepender de ler esse livro, é simplesmente genial, tanto é que entrou na minha listinha dos meus livros favoritos!
      Bjs!

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  7. Acredita que esse é um dos livros que eu tenho que ler pra faculdade? Estou te falando, cê vai adorar o curso ahaha
    http://nostalgiacinza.blogspot.com.br/

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    1. Cada vez mais eu estou considerando fazer jornalismo!

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  8. Morro de vergonha de dizer que eu, formada em publicidade AINDA não li este livro!
    Adorei tua resenha, vou correr pra ler :D

    www.quefrescurajeny.blogspot.com

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    1. Não precisa sentir vergonha por ainda não ter lido o livro, e eu tenho certeza que você vai adorar de tão genial que é a história!

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