Título: Caviar É Uma Ova
Autor(a): Gregorio Duvivier
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 182
Classificação: 5/5

Sou uma grande fã do Gregorio Duvivier (os leitores mais antigos do blog já estão carecas de saber), e quando descobri que ele iria lançar o seu mais novo livro "Caviar É Uma Ova", mal pude acreditar que era verdade. E para aumentar toda essa minha animação descobri que junto do lançamento do livro também teria um bate papo com o Gregorio, além de rolar uma sessão de foto e autógrafos. Fui uma das primeiras cinco pessoas que chegaram, e estava acompanhada dos meus dois amigos: Gabriel Herrera e Pedro Coelho. Acabou sendo um dia completamente incrível, poder conversar com um dos meus ídolos, a pessoa que me influenciou a fazer jornalismo justo no dia em que descobri que tinha passado no estágio que tanto queria. Isso só pode ter sido obra do destino.
"'Caviar é uma ova' reúne as melhores e mais interessantes crônicas publicadas por Gregorio Duvivier, um dos autores mais inventivos do Brasil na atualidade. Gregorio é ao mesmo tempo ator, roteirista, comediante, cronista e poeta, e este livro é uma versão impressa da multiplicidade única do autor. Transitando entre ficções, memórias de infância, artigos de opinião, militância política e exercícios de estilo, o conjunto final acaba marcado pela agudeza crítica. Em pouco tempo, Gregorio se transformou numa das vozes mais ativas da esquerda brasileira, tornando-se referência por conta de sua combatividade generosa, em que a inteligência é a principal arma." 
O livro é uma coletânea de algumas de suas crônicas que abordam diferentes assuntos, que vão desde a política — dessa vez o teor político está mais presente e marcante do que em "Put Some Farofa" — até os estágios que você passa quando é assaltado. Nos textos Gregorio conta sobre sua família, a sua infância, sobre como é esquecido — faz questão de realçar que a culpa não é da maconha, ela apenas não ajuda — e sobre antigas paixões.

Até mesmo a polêmica crônica sobre a Clarice está presente no livro. Esse foi um texto que dividiu os leitores, alguns acharam que ele foi perseguidor e abusivo, outros avaliaram como um lindo texto de amor e para outros foi apenas uma questão de marketing para o seu novo filme que estava estreando. Sinceramente, não fico pensando qual foi o intuito dele ao escrever, pois em uma sociedade intolerante em que vivemos é bom ver alguém recordando de um grande amor que teve. O mundo precisa de mais amor, por favor. Sem contar que ele escreve super bem, isso não tem como negar.
"Qual é o papel do opressor na luta do oprimido? Não faço a menor ideia — mas a discussão me fascina. Suspeito que a palavra chave seja empatia. Sentir dor pela dor do outro é o que nos faz humanos — também é o que nos faz ser chamados de hipócritas, demagogos, esquerda-caviar. Humanidade é um crime imperdoável."
Gregorio é um cara que consegue pegar qualquer tema, por mais simples que seja, e consegue transformar em um ótimo texto, as suas palavras conseguem emocionar ao leitor (admito que sinto um pouco de inveja dele, gostaria de ter todo esse talento e criatividade). Até mesmo para abordar um assunto tão delicado como política — não são todas as pessoas que se interessam —, ele consegue fazer um bom trabalho e com uma grande dose de humor.
"Pense no lado bom: talvez o Brasil não seja um país intrinsecamente corrupto ou reacionário. Ou talvez seja. Isso a gente ainda não sabe. Pra isso seria preciso uma coisa inédita: democracia. Por enquanto, pra participar da festa, só com pulseirinha VIP de seis milhões de reais (mas relaxa que tem consumação)." 
Posso ser considerada um pouco suspeita para falar das obras do Gregorio, mas acredito que seus textos têm uma grande qualidade e uma das coisas que eu mais amo é o fato dele brincar com as palavras, isso é mais recorrente nos seus livros de poemas, mas até mesmo em algumas crônicas é possível perceber esse jogo que ele faz. Acho que o único ponto negativo do livro é ele ser tão pequeno, acabei lendo muito rápido e já estou com aquele gostinho de "quero mais". Gregorio, é bom você não demorar para lançar outro livro para que eu possa ler e resenhar. #GregorioReparaEmMimJáResenheiTodosOsSeusLivros

E aqui estão as minhas crônicas favoritas:
1) Desculpa, São Paulo
2) O que aprendi com quem
3) Serhumanidade
4) Estágios do assalto
5) Empatia é quase amor
6) Minha avó Ivna
7) Lembrar de esquecer
8) Haters gonna hate
9) Calvofobia
10) Querido pastor
11) Aforismos para sabedoria de vida
12) O sequestro das palavras
13) Não se mate ainda, não
14) O que é que ele tem
15) Desculpe o transtorno, preciso falar da Clarice


2 Comentários

  1. Já li um livro dele e dei muita risada, fora que o texto dele é elegante e criativo. Quero muito ler esse também, já vou add no meu skoob! :) Adorei o seu blog, ainda mais o nome dele! Beijos :***

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    1. Oi, tudo bem com você?
      Sim, os textos dele são criativos e conseguem ser bem engraçados, até mesmo alguns que tratam de assuntos mais sérios como política. Gostei bastante desse livro e super recomendo, cada crônica consegue ser melhor que a outra e até fica difícil falar quais são as melhores.
      Fico feliz que você tenha gostado do blog e do nome dele - você também é whovian?
      Bjs e volte sempre aqui no Escritora Whovian!

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