Não me lembro exatamente do dia em que eu resolvi ler A Culpa é das Estrelas de John Green, provavelmente deve ter sido pelo grande número de pessoas que estavam lendo esse livro e postando frases dele no tumblr, twitter, facebook... Isso me deixou muito intrigada para ler esse livro que estava fazendo sucesso com praticamente todo mundo. Foi preciso que eu deixasse a minha preguiça um pouco de lado para sair e comprar esse livro.

Um dos comentários que eu mais escutei sobre o livro foi "Você vai chorar lendo ele", então já estava me preparando emocionalmente algo cheio de drama de inicio ao fim, para ver personagens que viriam a se tornar meus preferidos morrendo. Mas quando eu comecei a ler não achei algo tão dramático como imagina, tudo bem que é triste ver uma jovem com câncer e sem muito ânimo para viver, mas isso é uma realidade de milhares de pessoas. A vida seria um mar de rosas se são existissem doenças feito o câncer, as pessoas que sofrem dessas doenças iriam ter uma vida mais longa e sem muito sofrimento, no entanto a vida está longe de ser fácil tanto para as pessoas que sofrem de alguma doença grave ou que tem uma saúde perfeita. No livro Louco aos Poucos da Libba Bray, conta a história de um adolescente que descobre que tem uma doença séria e ele vai morrer e ao longo das páginas a autora faz um questionamento sobre a vida que eu acho que combinam com A Culpa é das Estrelas.    

"—Eu vou melhorar?
Seu corpo empertigado vai amaciando a cada minuto que passa.
—Você tem que perguntar isso para o seu médico, Cameron.
Gosto da maneira como ela pronuncia o meu nome, como se ele tivesse mais sílabas do que realmente tem.
—É que... ninguém diz nada, sabe como é?
Glory olha em direção ao corredor, onde ela tem gráficos para arquivar e pacientes para examinar.
—Isso acontece porque ninguém entende como a coisa funciona nem o porquê. Por que Deus leva os bons e jovens ou porque sofremos. Não entendo por que Ele levou a minha filhinha que teve câncer com apenas cinco anos de idade."
— Louco aos Poucos, Libba Bray.      
"Não posso falar da nossa história de amor, então vou falar de matemática. Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros. Um escritor de quem costumávamos gostar nos ensinou isso. Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Queria mais números do que provavelmente vou ter, e, por Deus, queria mais números para o Augustus Waters do que os que ele teve. Mas, Gus, meu amor, você não imagina o tamanho da minha gratidão pelo nosso pequeno infinito. Eu não o trocaria por nada nesse mundo. Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados, e sou muito grata por isso." — A Culpa é das Estrelas, John Green.
Eu sou atraída por livros em que acabam fazendo um questionamento sobre a vida humana ou sobre qualquer outro assunto, gosto de ficar filosofando e criando teorias sobre esses questionamentos. Mas voltando ao assunto principal desse texto, acabei me apaixonando pelo modo do John Green escrever e expor suas ideias que pessoalmente eu considero geniais. Logo que acabei  A Culpa é das Estrelas sai em busca de mais livros dele para ler e o escolhido acabou sendo Teorema Katherine. Esse livro eu não gostei tanto como A Culpa é das Estrelas, sou péssima em matemática e as vezes ficava sem entender a lógica que o Colin criou para explicar a sua relação com suas antigas namoradas (todas chamadas Katherine), se às vezes eu me matava para entender um conteúdo idiota de funções que a minha professora passava, a lógica que  criada no livro foi pior ainda. E mesmo sabendo que o Colin Singleton é apenas um personagem fictício eu não escondo que sinto uma inveja branca dele e eu gostaria de ser inteligente como ele e ter essa facilidade para matemática.

O próximo da lista acabou sendo Cidades de Papel e eu fiquei fascinada com a personagem Margo Roth Spiegelman, uma garota profunda que me lembrou um pouco a minha amiga por ela não ser o que realmente aparenta. No inicio do livro você acha que Margo leva uma vida que pode ser considerada perfeita, ela tem 18 anos, mora com seus pais e com sua irmã, é uma garota bonita e popular. Mas isso é apenas o lado de fora, por dentro ela é uma pessoa muito mais profunda que sofre de conflitos internos e que tem um relacionamento conturbado com seus pais. E assim como todos os personagens do John Green ela é brilhante, o modo que ela planejou sua busca foi algo que me deixou impressionada. A única vez que eu "fugi" de casa acabei indo para a escada de emergência no meu prédio e fiquei por lá durante uns 15 minutos antes de voltar para a minha casa.

Adquiri Quem é Você Alasca? durante a minha viagem para o Rio de Janeiro, não estava conseguindo encontrar esse livro nas livrarias da cidade de onde eu moro e quase vibrei quando consegui comprar esse livro, foi como um pequeno desejo se realizando. Durante a leitura eu acabei me identificando com o personagem principal Miles Halter, um jovem que é fissurado por célebres últimas palavras, já eu sou colecionadora de frases de livros, filmes e séries. O final do livro é triste, mas acredito que Alasca tenha ficado feliz ou satisfeita com isso já que se tratava de uma vontade dela, e acredito que ela tenha vivido intensamente apesar de ser jovem quando morreu. A mente dela era um verdadeiro enigma, assim como ela.

"Vocês fumam para saborear. Eu fumo para morrer."  Quem é Você Alasca?, John Green
"—Acho que a pessoa não deve morrer enquanto não estiver pronta. Até quando você tenha esgotado cada pedacinho de vida possível."  — Louco aos Poucos, Libba Bray.      
O que mais eu adorei de Will & Will- Um nome, um destino, é que o livro acaba saindo do clichê básico de "garoto ama garota, ela retribui o sentimento, eles começam a namorar e dependendo do autor podem passar o resto da vida juntos e felizes, ou um dos dois acaba morrendo".  Esse livro mostra que não tem nada de errado um garoto se apaixonar por um garoto, que você pode ser gordinho(a) e ainda sim vai encontrar alguém que te ame pelo o que você é e não por causa da sua aparência.

Acredito que ao longo do texto consegui mostrar os motivos de eu gostar dos livros do John Green, e não por causa de ser uma modinha. Eu o considero como um escritor incrível, com questões meio filosóficas que acabam me prendendo aos livros, e os personagens e histórias que acabam fugindo dos clichês com os quais já estamos acostumados.


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