Título: Quem é Você Alasca?
Autor(a): John Green
Editora: WMF Martins Fontes
Número de páginas: 229
Classificação: 5/5

Conheci o John Green com o livro A Culpa é das Estrelas, o livro mexeu comigo de uma maneira impressionante que eu resolvi ler outras obras desse autor genial. Essa foi uma das minhas maiores motivações para ler Quem é Você Alasca?, sem contar que algumas poucas amigas minhas que leram o livro começaram a postar nas redes sociais fotos do livro e frases extremamente profundas. Do mesmo modo que eu acabei me apaixonando por A Culpa é das Estrelas, Teorema Katherine, o mesmo aconteceu com esse livro. Consequentemente, também acabou aumentando a minha adoração pelo John Green, um ótimo escritor e um grande gênio.
"Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras — e está cansado de sua vidinha segura e sem graça em casa. Vai para uma nova escola à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o 'Grande Talvez'. Muita coisa o guarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young. Inteligente, espirituosa, problemática e extremamente sensual, Alasca levará Miles para o seu labirinto e o catapultará em direção ao 'Grande Talvez'". 
Miles Halter — ou Gordo — é um garoto que leva uma típica vida de uma família americana, porém não se sente feliz com a própria vida que leva, descrevendo-a como "vidinha medíocre", além de não ter amigos em sua escola, apenas "colegas" que se resumem nos alunos da aula de teatro e os geeks do inglês com quem ele se senta no refeitório de sua escola por necessidade social. Por esse motivo, ele decide deixar sua casa na Flórida para se mudar para um internato no Alabama onde seu pai já estudou. Essa não foi uma decisão que agrada muito os seus pais — principalmente a sua mãe — que criam algumas hipóteses para a sua vontade de ir embora. Quando tudo, na verdade, se resume na inspiração que Miles tem por François Rabelais, um poeta cujas últimas palavras foram: "Saio em busca de um Grande Talvez". Ele explica que não quer ter de morrer para começar a sua busca pelo Grande Talvez, portanto está indo embora.

Como uma espécie de tradição familiar Miles, acaba indo para a Culver Creek, o internato onde seu pai estudou quando jovem. E as coisas não começam a acontecer do jeito que ele esperava. Para começar, teve de se agachar para tomar o seu banho visto que o chuveiro parecia ser feito para pessoas com um metro e dez de altura, e ele com os seus 1, 80m precisou dar o seu jeito para se banhar. Logo em seguida, estando apenas com sua toalha amarrada na cintura, acaba conhecendo o seu colega de quarto Chip Martin — ou Coronel —, um rapaz baixo com no máximo 1,50m, musculoso e com um emaranhado de cabelo castanho.          
 "Bonito, pensei, vou conhecer o meu companheiro de quarto, pelado".
 "— Meu nome é Chip Martin — anunciou uma voz grave, a voz de um DJ de rádio. Antes que pudesse responder, ele acrescentou: — Eu o cumprimentaria, mas acho melhor você continuar segurando essa toalha até terminar de se vestir".   
A amizade que se estabelece entre os dois é praticamente instantânea. É o Chip que atualiza Miles a respeito de algumas regras da Culver Creek, e também o apresenta para Alasca Young. Está, é uma jovem enigmática, sedutora, questionadora, rebelde e para a infelicidade de Miles ela tem um namorado. Mas esse último fator não impede que ele se apaixone por ela, ambos desenvolvem uma amizade e vão se tornando cada vez mais próximos por Miles decidir ajudar a jovem rebelde a tentar descobrir o que Simon Bolívar queria dizer com suas últimas palavras: "Como sairei deste labirinto?". Juntos Miles, Chip e Alasca acabam se envolvendo em típicos problemas de adolescentes, lidam com decepções amorosas e tem de aprender a lidar com a perda.
 "Não sabia se podia confiar nela e já estava cansado de sua imprevisibilidade - fria num dia, meiga no outro; irresistivelmente sedutora em um momento e insuportavelmente chata em outro."  
O que me atraiu principalmente nesse livro foi a personagem Alasca Young, primeiramente achei bastante incomum o nome dela e por algum motivo comecei a gostar dela a partir desse instante. Também existe o fato de que ela tem um grande número de livros e os chama de "Biblioteca da Minha Vida", como sou viciada em ler,  me encontrei nesse trecho. Sem contar que ela é uma personagem mais profunda do que realmente aparenta ser, inicialmente achava que ela era apenas uma garota-problema que de certa forma tentava chamar atenção para si mesma, mas na verdade é muito mais profunda do que isso.
"— Vocês fumam para saborear. Eu fumo para morrer".
 "... se as pessoas fossem chuva, eu seria a garoa e ela, um furacão".
Esse livro também me fez refletir sobre o "Grande Talvez", e cheguei à conclusão que Miles conseguiu encontrar o que tanto procurava, a partir do momento em que ele resolveu deixar sua casa para ir estudar em Culver Creek, quando se tornou amigo do Chip e da Alasca e fez coisas que nunca imaginou que iria fazer em algum dia de sua vida.
 "— Não posso ser uma dessas pessoas que ficam sentadas falando sobre que pretendem fazer isso e aquilo. Eu vou fazer e pronto. Imaginar o futuro é uma espécie de nostalgia".
Também foi interessante tratar um algo muito comum entre os jovens, que é o amor não correspondido. Muitas vezes, para algumas pessoas isso pode ser o sinônimo de fim do mundo.
"Eu queria ser o seu último amor. Mas sabia que não era. Sabia e a odiava por isso. Eu a odiava por não se importar comigo. Eu a odiava por ter me deixado naquela noite. E odiava a mim mesmo por tê-la deixado ir embora, porque, se eu tivesse sido suficiente, ela não teria querido ir embora. Simplesmente, teria se deitado comigo, conversando e chorado. Eu a teria ouvido e teria beijado as lágrimas que caíam dos seus olhos".
Para quem está à procura de algo profundo, um tanto reflexivo e inovador esse livro é uma ótima opção. Mesmo que existam alguns clichês, acho que são essenciais. Tirando isso, gostei da caracterização de cada um dos personagens e cada um com o seu vício incomum: Miles, o fissurado por célebres últimas palavras; Chip, com uma boa memória decorou o nome de todos os países; e Alasca, uma garota cheia de livros, sendo que talvez tenha ao lido ao todo um terço do que tem, mas pretende ler todos.


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