No dia-a-dia, em geral, é muito comum as pessoas julgarem algo ou alguém por causa da aparência física ou pelo que já ouviu falar sobre determinado objeto, pessoa ou lugar.

Eu sou uma garota que possui alguns gostos que podem ser considerados um pouco excêntricos, há uma ano comecei a me interessar por k-pop (música pop coreana) e desde então virou parte da minha rotina escutar comentários preconceituosos por parte dos meus amigos, como por exemplo: "Eles são coreanos!", "Eles têm olhos puxados e são estranhos, um dos caras dessa banda que você gosta parece uma mulher" e "Como você consegue gostar das músicas se nem ao menos fala coreano?". Os comentários são tantos que nem prefiro comentar esse meu gosto por k-pop, e essa situação vale para duas músicas dos Beatles que eu tenho em alemão no meu celular  (Sie Liebt Dich/She Loves Yoy e Komm Gib Mir Deine Hand/ I Want To Hold Your Hand). As pessoas simplesmente criticam por ser uma língua que elas não sabem falar, nem se dão ao trabalho de escutar a música para ver se ela tem um ritmo legal ou não.

O mesmo ocorre com alguns livros que eu leio, já tive que aturar algumas pessoas me questionando por eu gostar de Harry Potter, alegando que o livro é muito fantasioso e que foi feito para crianças. Eu respeito a opinião dessas pessoas mesmo não concordando, afinal de contas gosto é igual a bunda e cada um tem a sua. Mas me pergunto quantas dessas pessoas já leram Harry Potter para darem a opinião delas, é muito fácil criar um ponto de vista sem ter lido um dos livros. Extraordinário de R. J. Palacio, aborda exatamente esse tema do preconceito, das pessoas julgarem sem conhecerem algo realmente. No caso desse livro August Pullman é um garoto que tem uma severa deformidade facial, e quando ele vai para a escola pela primeira vez as pessoas o julgam por sua aparência e são as poucas que tentam conhecer o garoto indo além de seu físico.

Mas as pessoas, objetos e música estão longe de serem os únicos a sofrerem algum tipo de preconceito, não se pode deixar os países de fora dessa. É muito comum boa parte dos estrangeiros julgarem que o Brasil se define em cinco itens: floresta, carnaval, futebol, Rio de Janeiro e São Paulo. E existem outros que nem sabem ao certo a localização do nosso país, eu já conheci uma americana que disse "Eu já estive no Brasil, e depois de Portugal eu fui para a Espanha", de acordo com ela o Brasil fica em Portugal.

A Colômbia também é um outro país que sofre desse pré-julgamento, a primeira coisa que boa parte das pessoas pensam quando escutam falar sobre esse país são as drogas (a maconha é liberada lá), uma conhecida minha, por exemplo já brincou que o pai da amiga da minha irmã era traficante, pois ele e a família estavam prestes a fazer uma viagem para a Colômbia durante as férias. Mas uma colega minha que voltou recentemente  de lá após um intercâmbio de um mês em Medelín, e os relatos dela sobre a viagem como um todo acabou mudando o modo que eu via esse país e acho que causou o mesmo nos meus colegas. Lá é muito mais do que simplesmente drogas, como boa parte das pessoas acham.

O preconceito é algo que está longe de ser erradicado, mas acho que se cada uma das pessoas passarem a respeitar os gostos das outras (independente de se tratar de gosto musical/literário/sexual) já é um grande avanço, além de tentar ver o mundo sob outra perspectiva. Devemos seguir o exemplo de Liesel no filme The Book Thief, Max (um judeu fugitivo) está escondido no porão e pede para a garota contar como está o dia e ela começa a falar que o dia estava nublado até que o judeu a interrompe e diz: "Se os seus olhos falassem, o que eles diriam?" e assim Liesel começa a falar novamente como o tempo está, mas usando algumas funções de linguagem. Precisamos aprender a ver o mundo, as coisas dele e as pessoas dele com um olhar puro e mágico.


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