Resenha: Quase Uma Rockstar

Título: Quase Uma Rockstar
Autor(a): Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 256
Classificação: 5/5
É com convicção que posso falar que me tornei uma grande fã do Matthew Quick e de seus livros há algum tempo, sendo assim toda vez que tenho dinheiro e oportunidade eu faço questão de comprar um livro dele. E depois de alguns meses enrolando, finalmente, aqui está à resenha "Quase Uma Rockstar", que consegue ser tão perfeito, na verdade, melhor do que as outras obras do mesmo autor uma vez que a leitura acabou superando as minhas expectativas e me surpreendendo.
"Quase Uma Rockstar - Desde que o namorado da mãe as expulsou de casa, Amber Appleton, a mãe e o cachorro moram em um ônibus escolar. Aos dezessete anos e no segundo ano do ensino médio, Amber se autoproclama princesa da esperança e é dona de um otimismo incansável, mas quando uma tragédia faz seu mundo desabar por completo, ela não consegue mais enxergar a vida com os mesmos olhos. Será que no meio de tanta tristeza e sofrimento Amber vai recuperar a fé na vida? Com personagens cativantes e uma protagonista apaixonante, Matthew Quick constrói de forma encantadora um universo de risadas, lealdade e esperança conquistada a duras penas."
Narrado em primeira pessoa o livro começa mostrando um pouco sobre a vida complicada que a jovem Amber Appleton leva, mas mesmo assim ainda sorri constantemente e não deixa que os problemas afetem sua vida. A garota mora junto de sua mãe e de seu cachorro Bobby Big Boy (BBB), em um ônibus escolar (o Amarelão) depois de terem sido expulsas da casa do ex-namorado da mãe. Sem dúvida Amber leva uma vida difícil, mas para isso acaba contando com a ajuda de algumas pessoas bem importantes em sua vida: os seus meninos, o Padre Chee juntamente das Divas Coreanas e também a Donna Soldado Jackson (SJ), que sempre lhe dá comida e ajuda com alguns dos cuidados do BBB.
"Talvez eu seja bizarra — mas sou uma bizarra esperançosa, e tem coisa pior no mundo para ser.
Não é? Pois é.
Eu espalho esperança.
Sou uma espalhadora de esperança.
Acho que é isso que faço — livremente. E é por isso que ainda estou circundando a grande bola de fogo no céu. (é o Sol, cara!)."
E apesar de todas as complicações Amber tem uma grande fé em JC (Jesus Cristo), acreditando que ela e sua mãe vão encontrar um lugar melhor para morar e melhorar de vida,  que o diretor vai fazer mudanças necessárias na escola e que o seu professor preferido não vai ser demitido. E também é uma garota bastante otimista que acredita que coisas boas sempre acontecem para as pessoas que acreditam no bem, de tal modo que ela sente prazer de ajudar as pessoas ao seu redor como, por exemplo, ensinar inglês para algumas mulheres coreanas através de um grupo de coral conhecido como Divas Coreanas; visitar ao áxilo e divertir os idosos, além de ajudar ao seu professor preferido a manter o emprego dele.

Porém, o que Amber não podia prever era que sua vida iria mudar de maneira radicalmente do dia para a noite, e essa mudança que acontece deixa a adolescente de 17 anos praticamente desolada, uma vez que todo o seu mundo pareceu ruir e suas crenças começaram a se tornar um motivo de várias dúvidas e questionamentos que nem mesmo o Padre Chee sabe lhe responder. E é nesse momento do livro que é apresentado para o leitor uma fase mais sombria no mundo de Amber, que parece ser outra garota completamente diferente da garota extremamente otimista de alguns meses atrás.  
"A folha que cai. Voa como um jovem Ícaro. Depois se desfaz."
Para conseguir dar a volta por cima dessa nova fase que se instalou em sua vida a jovem vai precisar contar com a ajuda de seus amigos, além de que novas pessoas vão aparecer para ajudá-la apesar de sua teimosia inicial e do sentimento de negação que parece tomar conta dela. E é com a união dessas pessoas que Amber começa a perceber o quão ela é queria por todos, e que apesar de todos os males ocorridos em sua vida ela pode sim se considerar uma pessoa de sorte, no fim das contas.
“Devemos considerar perdido todo dia em que não dançamos pelo menos uma vez. E devemos chamar de mentira toda verdade que não for acompanhada por pelo menos um sorriso”.
O livro é envolvente desde a primeira página em que Amber começa contando algumas informações básicas sobre a sua vida, e o jeito da personagem é algo extremamente contagiante para o leitor, ainda mais o entusiasmo da mesma. Ao mesmo tempo em que a linguagem é simples também é rica em detalhes, combinando perfeitamente com o estilo de Amber, além de fluir de maneira muito rápida. "Quase Uma Rockstar" narra uma história muito envolvente e original, tanto é que o livro foi parar na minha lista dos favoritos e por isso recomendo a leitura para todas as pessoas. Os personagens (até mesmo os secundários) são bem desenvolvidos e encantadores, assim como a história como um todo.

Resenha: Perdão, Leonard Peacock

Título: Perdão, Leonard Peacock
Autor(a): Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 224
Classificação: 5/5

Depois de ler "O Lado Bom da Vida", Matthew Quick acabou entrando para a minha lista de autores preferidos e desde então venho procurando por outras obras dele. Fazia algum tempo que eu vinha querendo ler "Perdão, Leonard Peacock", e fui surpreendida com o ato da amiga da minha irmã me presentear com o livro sem nenhum motivo especifico. E da mesma maneira que eu amei "O Lado Bom da Vida", o mesmo aconteceu com "Perdão, Leonard Peacock", além de ficar cada vez mais apaixonada pelo modo de escrever do Matthew.
"Perdão, Leonard Peacock - Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem ao poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto."
Em tese, o aniversário de alguém costuma a ser um dia bastante alegre e especial, principalmente quando se é o aniversariante. Contudo, as coisas não funcionam exatamente dessa maneira para Leonard Peacock, um adolescente deprimido, estranho e reservado que, ao invés de estar comemorando seu aniversário fazendo alguma festa ou um almoço para os amigos mais próximos, tem uma forma bem peculiar de passar esse dia. Ele está decidido em se matar usando a P-38 que um dia pertenceu ao seu avô, e junto ele irá levar o seu ex-melhor amigo, Asher Beal.

Contudo, antes de colocar seu plano em ação e cometer o homicídio-suicídio, Leonard decide presentear algumas pessoas.
"Minha teoria é a da que perdemos a capacidade de ser feliz à medida que envelhecemos."
Antes de sair de casa ele decide cortar o seu cabelo, deixando os fios em uma sacola de plástico dentro da geladeira na esperança de que sua mãe (que está longe de ser alguém presente na vida de Leonard, na maioria da das vezes ela deixa o filho sozinho durante boa parte da semana. Ela é uma pessoa alheia aos acontecimentos da vida de Leonard), Linda encontre, uma vez que ela dizia odiar o corte de cabelo que ele usava. Logo depois, Leonard vai para a casa do ser vizinho, Walt: um velho senhor e grande fã dos filmes do Humphrey Bogart, e juntos ambos ficam durante algum tempo e sempre fazendo referência as falas dos filmes do Bogart. Já na escola, Leonard visita Baback, um garoto iraniano que todos os dias toca seu violino durante o horário do almoço; e também aproveita para fazer uma visita ao seu professor preferido Herr Silverman, que da aula de alemão e que atualmente está ensinando para os alunos sobre o holocausto.  E por último, ele vai ao metrô na esperança de se encontrar com Lauren, uma jovem linda e cristã por quem Leonard demonstra certo interesse.
“Eu me sinto como se estivesse quebrado. Como se eu nunca mais pudesse me ajustar. Como se não houvesse mais lugar pra mim no mundo ou algo assim. Como se eu tivesse ultrapassado meu tempo de estadia aqui na Terra, e todo mundo estivesse constantemente tentando me dar dicas sobre isso. Como se eu devesse apenas ir embora.”
Enquanto para algumas pessoas o livro aparenta ter uma história bem incomum, e depressiva em certos pontos, pessoalmente, eu achei brilhante. Talvez seja pelo gosto por livro que abordam assuntos reflexivos como a questão da vida ou da morte. E eu achei interessante o fato do autor ter abordado temas que normalmente não se encontra em muitos livros, como a questão da violência, insanidade mental, homossexualidade.

Outra coisa que eu adorei em "Perdão, Leonard Peacock", foram as notas de roda pé bastante divertidas, e que às vezes eram enormes, um fator que não pode agradar a todos os leitores. Mas, no geral, é um ótimo livro que narra uma história interessante e profunda.